Rapina investiga, através da experimentação de uma voz-mulher inscrita nos maneios de um falar agreste e alagoano, os desdobramentos da fúria feminina. A raiva performada neste livro vai dos ensinamentos de minhas antigas — tias e avós — a quem escuto desde menina, à alusão ao cinema pop, com poemas que retomam filmes como A hora do Pesadelo, Garota Infernal, Kill Bill e Volver. Livro vencedor do Concurso Literário da Ria Livraria – 2024.
Larisse Nolasco é poeta, pesquisadora de poesia e alagoana de uma terrinha miúda chamada Boqueirão dos Pastoras. Tem textos publicados na Felisberta, na Ruído Manifesto e na Totem & pagu – firrrma de poesia. Participa das seguintes revistas e antologias: Voz: impressão do corpo (Aboio, 2023), Febre do Rato (Joelhos de velho, 2023) e Anônimo não é nome de mulher (Patuá, 2022). Seu livro de estreia é Algodão Doce (2022, Ipê Amarelo). É mestranda no programa de Teoria e História Literária (Unicamp/IEL), no qual desenvolve um estudo sobre a poética amorosa de Ricardo Aleixo.
O livro está à venda no site da Ria Livraria (Clique aqui).
Leia abaixo uma entrevista com Larisse Nolasco

Como surgiu a ideia de escrever o livro?
A ideia do livro surge da raiva relacionada aos homens. Em especial, da raiva relacionada aos homens que já machucaram minha irmã. Estava farta de vê-la em sofrimento. É por isso que, na falta de facas, começo a escrever poemas furiosos. O primeiro deles foi Piquiîra quer dizer irmã mais nova, no qual as palavras vão ao encontro da precisão e da fúria de um carcará que quer vingar a irmã. Obviamente, o livro se expande para além de minha irmã para fazer coro com uma raiva vivenciada pela maioria das mulheres, uma raiva que se associa às contínuas violências de gênero. Rapina é um livro de vinganças.
Há muita influência do cinema em seus poemas, poderia contar sobre esse tema.
Para Rapina, compus alguns poemas baseados no cinema. Recuperei filmes de minha infância e adolescência, como Garota Infernal e A hora do pesadelo. E outros da vida adulta, como Volver e Kill Bill. A ideia era reencenar a pulsão de Jennifer, Beatrix Kiddo, Raimunda, Sole e Paula dentro dos poemas. Criar repercussões possíveis para elas. Freddy Krueger ficou encarregado de aterrorizar os sonhos masculinos.
Poderia falar sobre a sua participação no Concurso da Ria e como reagiu à premiação?
Quando saiu o resultado dos trinta selecionados, foi uma alegria sem tamanho ver meu livro listado ali. Para ser sincera, não achei que teria chances de figurar entre os seis vencedores, afinal, muita gente boa tinha ficado entre os trinta. Julguei que meu livro não teria força o suficiente para competir uma “final”, vamos dizer assim. Mas teve. Quase não acreditei quando vi o resultado final.
Fale um pouco sobre Larisse Nolasco e o que tem de Rapina nela.
É sempre difícil falar sobre si mesma, mas poderia dizer, de forma muito geral, que Larisse Nolasco é um dos meus vários nomes — entre os quais estão Lari, Lála, Larisse. Gosto de viver me espalhando pelo mundo e entre as pessoas. Rapina tem de mim o caminho da raiva e da alegria, afinal, há muito humor nas cenas extremas que ali são tecidas.
Indique um poema do livro e o motivo?
Indico Piquiîra quer dizer irmã mais nova, porque foi o primeiro.